Iniciar o estudo de uma obra até chegar ao entendimento é uma longa jornada.
Seguem aqui, algumas dicas para o estudo.
Dicas que me foram ensinadas pelos professores que tive, de aulas públicas, de masters, de amigos pianistas, dos alunos que me pôe sempre em questionamentos e a minha própria que me fizeram perceber muitas outras, conseqüência dos progressos obtidos.
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analise
A analise da obra e a sua divisão em partes, é fundamental para o entendimento.
A forma como as idéias foram colocadas e o campo sonoro harmônico a que elas pertencem.
A seqüência de acordes gerará uma determinada emoção. Cada acorde terá a sua própria graduação de peso, já que o princípio harmônico é gerar tensão e relaxamento.
Conhecer, no mínimo as dominantes (V grau), é fundamental para o entendimento harmônico e expressivo.
digitação
Acredito ser o fator mais importante no início de qualquer coisa: saber caminhar.
É o que vai acontecer nessa primeira etapa. Quais dedos devo colocar para ter uma caminhada segura.
Algumas regras:
Passagem de polegar, procurar sempre uma tecla branca para poder apoiar a mão.
Ao montar uma frase, pense na digitação e seqüência das notas como se fosse uma escala.
Em seqüências escalísticas, trabalhe de polegar a polegar para fazer bem o registro dele em sua memória visual e física. Não estude a escala só ascendente, ou só descendente, a mão deve saber os dois caminhos: o de ida e o de volta.
O polegar define o tamanho de sua mão ou seja, os blocos de notas (teclas) que sua mão alcançará.
Em movimentos acórdicos ou grupos de tríades de execução ligada, pense em vozes diferentes e não no grupo de notas. Pensando assim, você perceberá quais dedos deverão ligar e quais soltar além de ganhar a habilidade mais difícil: independência de dedos.
A primeira ”’semifrase”’ do primeiro movimento da Sonatina op.36, nº3 de M.Clementi, pode ser dividida por duas partes.
Parte 1. do Sol a Sol oitava abaixo repetidos (primeiro compasso)
Parte 2. do Sol até a repetição das notas Lá. (segundo compasso e o terceiro incompleto)
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A semifrase foi dividida em quatro partes.
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A.. repetição ascendente e descendente da seqüência é aprender a fazer harpejos.
B. a repetição do polegar, indo e voltando, possibilita ver o caminho dele saindo da tecla Sol e indo para a tecla Dó.
C. a repetição de ida e volta do polegar possibilitará a massagem do músculo por baixo da mão.
D. na finalização só restam cinco dedos.
“”Regra geral para repetição de teclas:”"
É bom aprender a mudar de dedo quando temos teclas repetidas pois além de termos melhor controle da sonoridade, não corremos o risco da tecla não ser tocada ou do dedo cansar.
Nessa melodia, temos dois momentos de repetição de teclas sendo sendo oportuna a mudança de dedos.
Podemos criar vários exercícios para resolver as dificuldades encontradas. Enquanto os dedos não souberem andar sobre o teclado, o remédio é dar excercício. Escala e arpejo são assuntos básicos que o pianista deve saber e dominar. Neles o polegar é o assunto mais importante.
Ao montar uma frase ou semifrase musical, resolva já, de antemão, todos os problemas que a mão enfrenta, pois além dos dedos, existe a articulação a ser usada (ligado, não ligado, staccato) o ritmo e a sonoridade. Tudo acontecendo simultaneamente.
Independente de sua velocidade de assimilação (kbom! nenhum ser humano é igual! cada um tem a sua velocidade para aprender) crie exercícios para você dominar a frase musical.
Aqui, um exemplo da mesma semifrase de Clementi.
Cada parte sendo repetida várias vezes até sentir segurança.
Chamo esse ‘criar exercícios’ de “Técnica Aplicada”.
»»clik e drague««
A. estudo do arpejo de Dò Maior em formato ‘acorde’.
B. estudo de repetição de tecla com mudança de dedo.
C. sem percebermos, veja o salto que o dedo 2 faz.
D. repetição de tecla caminhando para o Sol oitava acima.
E. união de B. C. D.
F. soma do arpejo e as repetições
G. arpejo de Dó Maior em formato ‘tríade’.
H. estudo do polegar (sai da tecla Dó e vai para a tecla Fá por baixo do dedo 3).
I. final da semifrase.
Todos os movimentos acórdicos são difíceis dois precisamos de independência de movimento e som nos dedos.
Em movimentos acórdicos ou grupos de tríades de execução ligada, pense em vozes diferentes e não no grupo de notas. Pensando assim, você perceberá quais dedos deverão ligar e quais soltar além de ganhar a habilidade mais difícil: independência de dedos.
Se estudarmos os acordes um a um, indo e voltando, estaremos exercitando essa habilidade naturalmente (técnica pura).
Dependendo de uma situação, uma seqüência poderá ter vários dedos que poderão ligar e outros tantos que estarão desligando, isto é, dois movimentos diferentes (toque legatto e non legatto).
Veja um exemplo para a mão direita e mão esquerda:
A 1ª nota aguda, ou seja, a 1ª voz será a linha tratada sempre como a principal, precisando sempre de maior volume do que as outras. Neste exemplo será a única voz a ser ligada.
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A primeira voz (haste para cima), deverá realizar a ligadura, pois é possível ligar o dedo 5 para o 4. Já na segunda voz (haste para baixo), o pianista deverá imaginar uma pausa para apertar as teclas seguintes pois os dedos irão se repetir.
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Se você estudar o primeiro acorde indo para o segundo e em seguinda voltar para o primeiro, num vai e volta constante, estará massageando seus músculos e fazendo o exercício de independência necessário para ganhar esse ‘tique’.
O mesmo exemplo para a mão esquerda que terá sempre a característica de inverter a mão direita, isto é, a linha do som mais grave, a 4ª voz, será o principal (dará mais força e brilho para os agudos e na maioria das vezes, o condutor da mão direita (1ª voz)
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Neste exemplo para a mão esquerda, a única nota que poderá realizar a ligadura será a voz central. A superior e a inferior, por serem os mesmos dedos, não poderão ser ligados.
Se estudarmos as vozes que deverão ser soltas em toque staccato, podemos perceber a dificuldade em segurar apenas o dedo que deverá ligar.
( »»»» clik na imagem, drague e depois clik no vídeo)
Primeiramente estude bem a linha melódica.(neste caso, arpejos na mão direita)
Resolva o problema de mudança de acorde da mão esquerda estudando de um para outro, sem pensar no ritmo.
Junte as mãos bem devagar, apenas encaixando o ritmo, entendendo qual tecla bate com qual tecla e esse raciocínio à medida que vai acelerando e existindo entendimento, outras assossiações de idéias surgirão.
Sou partidário do “De grão em grão, a galinha enche o papo!”. Um som de cada vez.
Se é difícil de assimilar os movimentos diferenciados que estão acontecendo, sigo a regra:
— 1ª tecla da direita com o acorde da esquerda + uma tecla — vai.volta.vai.volta
(fá lá fá lá fá lá fá etc)
— Mais uma tecla que cairá com o próximo acorde — vai.vai.volta.volta.vai.vai.volta.volta
(fá lá dó lá fá lá dó lá fá lá dó lá etc)
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Acrescente mais uma e terá o acorde feito, subindo e descendo. Se repetir 3 teclas, num vai e volta a partir da 2ª nota (lá dó mi) e bater o pé sempre quando apertar a tecla LÁ, verás que de início o corpo se recusará a fazer. A saída é fazer lento, ir raciocinando o que acontece, até que o cérebro entenda e ‘solte’ a informação para o corpo. Para isso a repetição é fundamental.
Para conseguir uma maior assimilação e fluência nas mãos, treine a melodia imaginando apenas o ritmo e exercitando ele alternadamente com mãos, pés, as mãos nas pernas e se der, até de ponta cabeça, hehe.
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Quando me deparo, logo de antemão com algo que percebo como ‘difícil’ ou ‘chato’, paro e não sigo.
Procuro resolver a ‘coisa estranha’ partindo desse principio “nota por nota” e chamo a isso de:
“Bem, vamos brincar!”
articulação
A articulação é a ‘língua’ do autor.
Na articulação está implícita o jeito de falar e sonorizar cada idéia ou frase.
Os três toques básicos deverão estar ‘solucionados’ pelo intérprete.
toque legatto (ligado, unido)
toque non legatto (não ligado, desunido)
toque staccatto (sêco, som bem curto)
O domínio dos três toques te ajudará no entendimento musical, pois estão associados à dinâmica do som.
O crescer ou diminuir o volume entre cada som.
Tocar ligado, não é só apertar teclas após outras, mas também que intensidade colocar em cada uma delas.
O staccatto, por ser entendido que devemos roubar o valor da caída do ataque pela metade, em andamentos rápidos soarão ‘secos’, como que ‘beliscados’, podendo ser associado a ‘leveza’.
Descobrir como tocar rápido não ligado e no mesmo andamento, o staccatto é algo bem ‘complicado’ de se resolver.
Domínio das 4 ligaduras básicas: de 2 sons, 3 sons, 4 sons e de 5 a mais sons.
Quando termina uma ligadura, deverá existir uma minúscula pausa antes de atacar o próximo som.
Ligaduras de três sons e as variações de dinâmica:
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Execução da escrita que o músico deverá imaginar:
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Opções de sonoridade com ligaduras de três sons:
Ligaduras de quatro sons:
Ao analisarmos a obra, a harmonia ajudará a fazer as opções de dinâmica da linha melódica e nas ligaduras longas o princípio “Início e término da frase sempre leve” sempre deverá ser observado. Mas enfatizo: a analise harmônica e salvo as indicações do compositor é que definirão a sonoridade do início e término.
Fica aqui um exemplo da lindíssima melodia da “Valse Triste” de Reinhold Glière
(A única dinãmica marcada do compositor está escrita abaixo da pauta e as chaves de som na parte superior são as ‘imaginárias’)
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som
Como vimos acima, os sinais de dinâmica e as chaves de som, serão os alicerces de sua expressão.
O forte não será apenas ‘tocar forte’, mas sim, porque é forte?
Qual emoção se busca por estar escrito
‘f‘, vibrante, apaixonado, com bravura ?
Ou
‘ p ‘ , dolce, delicado, cantado ?
estudo em grupo
Um bom trabalho para deixar as passagens e a digitação mais segura, além de treinar velocidade nos dedos é o Estudo em Grupos.
Pode e deve ser aplicado em qualquer obra, mas um dedo errado e pague as consequencias de uma execução truncada.
QUADRO
APLICAÇÃO
Exemplo com o Estudo nº1 do primeiro volume do C. Czerny.
As pausas de espera, é para você poder se concentrar nos dedos a serem colocados. (vai por mim, elas são importantes!)
September 29th, 2008 at 15:11
Que legal este quadro!!!
Muito didático!!!
Obrigada por esta ferramenta.
Valeu Prooo!!! :P :P
September 29th, 2008 at 17:48
:P
Se ajudou, então está valendo!!!
Valeu!!!!
October 26th, 2008 at 17:31
Bem legal!!!
valeu!!!
:P