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Miguel Bakun . Arte Moderna no Paraná

Miguel Bakun: 100 anos de arte
O artista que nasceu em Mallet é considerado um dos pioneiros da Arte Moderna no Paraná
Mallet – O artista Miguel Bakun completaria nesta quarta-feira (28) 100 anos de vida. Porém, o seu legado o tornou inesquecível para os apreciadores da arte, é considerado um dos pioneiros da Arte Moderna no Paraná e chamado de Van Gogh paranaense pela vida trágica que teve e pela semelhança nas cores utilizadas pelo pintor holandês.
Miguel Bakun, nasceu no dia 28 de outubro de 1909 na cidade de Mallet, filho de Pedro Bakun, ferroviário e de Júlia Marcionovicz, de origem ucraniana. Passou um período de sua infância em Mallet, porém, devido ao trabalho de seu pai, foram transferidos para Sorocaba e Ponta Grossa sucessivamente, pois ali se situava o importante entroncamento ferroviário de São Paulo e Paraná.
No ano de 1916 Miguel Bakun inicia seus estudos numa escola no bairro de Oficinas na cidade de Ponta Grossa. Aos 10 anos, inicia o aprendizado de alfaiate. Com 15 anos entra na Escola de Aprendizes da Marinha em Paranaguá. Transferiu-se para o Rio de Janeiro para matricular-se na Escola de Grumetes. Na Marinha de Guerra, conheceu José Pancetti, ainda no início da carreira de pintor, um encontro que para Bakun foi decisivo.
Em 1930, cai do mastro do navio durante exercícios de adestramento e é internado no Hospital Central da Marinha, sendo posteriormente desligado por incapacidade física. Após, transfere-se para Curitiba onde começa a trabalhar como fotógrafo ambulante. No dia 9 de abril de 1938, casa-se com Tereza Vaneri, professora e viúva de militar.
Em meados dos anos 40, Bakun instala seu atelier, incentivado por João Baptista Groff e Guido Viaro. No ano de 1944, seus quadros fazem parte da Exposição de Arte Paranaense. Miguel Bakun participou de várias exposições de arte, recebeu medalha de ouro no I Salão de Belas Artes da Primavera em Curitiba, medalha de bronze no VI Salão Paranaense de Belas Artes. Recebeu no ano de 1950, medalha de prata no VII Salão Paranaense de Belas Artes.
Moysés Lupion lhe entregou o Salão dos Papagaios situado no sótão de sua mansão, onde ele passou seis meses e executou painéis decorativos . A mansão de Lupion fica na Avenida Batel em Curitiba, hoje ocupada por um Centro de Eventos, “Castelo Batel”.
Considerado um dos pioneiros da Arte moderna no Paraná, Miguel Bakun foi uma vez chamado de Van Gogh paranaense pela vida trágica que teve e pela semelhança nas cores utilizadas pelo pintor holandês, o tom “ocre” que caracterizou muito as telas de Miguel Bakun. A partir de então a comparação com o artista holandês se torna recorrente, tanto com relação à pintura de Bakun quanto por seu temperamento melancólico e depressivo. Tanto que o próprio artista a aceita, reconhecendo sua admiração por Vincent Van Gogh, cujos quadros conhecia em reproduções ou pessoalmente. Outro ponto de semelhança entre ambos é certa religiosidade mística em conflito com um sentimento de profunda solidão, que de modo e intensidade diversos manifestam-se em suas obras.
A década de 1950 é a mais produtiva de Bakun, que se dedica à pintura de retratos, natureza-mortas, marinhas, mas, sobretudo, à pintura de paisagem, cuja temática mais recorrente são os arredores de Curitiba, com suas matas e casas simples e a intimidade dos fundos de quintal. É nesse último gênero que encontra seu melhor desempenho artístico. O desconhecimento das leis canônicas da perspectiva para a construção do espaço pictórico faz com que o artista invente de modo prático e intuitivo suas próprias soluções. A elaboração de um espaço quase sem profundidade e pontos de fuga, construído pela corporeidade da tinta, singulariza suas paisagens.
Apesar de utilizar esboços a lápis na tela ou no papel, o desenho não comparece em suas pinturas. As formas são criadas mediante o manejo da própria matéria pictórica. Sua paleta restringe-se a tons de azul, verde, branco, por vezes laranja e vermelho e, a cor preferida, amarelo. A variação entre áreas densas e outras ralas, chegando às vezes à ausência de tinta, constitui a espacialização rítmica de suas obras. Os ambientes, em geral familiares e cotidianos como árvores no fundo do quintal, cercas, portas de madeira gastas em casas simples, beiras de estrada, bosques, adquirem um ar de mistério. O misticismo panteísta de Miguel Bakun leva-o a uma profunda vinculação com a natureza.
Para ele, Deus está presente em todos os elementos vivos, animais ou vegetais, e as cores podem revelar esse componente sagrado. É nesse sentido que se devem fazer restrições aos críticos que vêem em seus trabalhos um viés puramente expressionista. Se por um lado seu olhar singular manifesta-se com liberdade, por outro o respeito pela natureza não o afasta da vontade de representação do real. O que vemos é um envolvimento entre o artista e a paisagem, no qual homem e natureza são permeáveis um ao outro. Isso se revela na sensação de proximidade espacial proporcionada por suas telas.
Em fins do anos 50, o artista introduz estranhas criaturas no quadro, numa visão animista da natureza ainda que alguns críticos, equivocadamente, vejam influência do surrealismo em seu trabalho. No início dos anos 60 realiza obras de temática religiosa. Sente-se marginalizado com a chegada do abstracionismo, que começa a dominar as poucas exposições em Curitiba. Sua situação econômica também se torna cada vez mais precária. Esses fatores contribuem para o agravamento de sua depressão, apegando-se como nunca à religião. Em fevereiro de 1963 suicida-se em seu ateliê.
Miguel Bakun também é um dos patronos da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS). Em função da comemoração do centenário do artista a Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Coordenadoria do Sistema Estadual de Museus (COSEM), promoveu uma série de atividades na terça-feira (27) em Curitiba. O COSEM também está colocando as obras do artista na internet para divulgar e facilitar o acesso do público geral ao trabalho e legado artístico.
TEXTO: ODINIR ANTUNES.
http://hojecentrosul.com.br/hoje/especial/miguel-bakun-100-anos-arte

 

O artista que nasceu em Mallet é considerado um dos pioneiros da Arte Moderna no Paraná


O artista Miguel Bakun completaria nesta quarta-feira (28.out) 100 anos de vida. Porém, o seu legado o tornou inesquecível para os apreciadores da arte, é considerado um dos pioneiros da Arte Moderna no Paraná e chamado de Van Gogh paranaense pela vida trágica que teve e pela semelhança nas cores utilizadas pelo pintor holandês.Miguel-Bakun

Miguel Bakun, nasceu no dia 28 de outubro de 1909 na cidade de Mallet, filho de Pedro Bakun, ferroviário e de Júlia Marcionovicz, de origem ucraniana. Passou um período de sua infância em Mallet, porém, devido ao trabalho de seu pai, foram transferidos para Sorocaba e Ponta Grossa sucessivamente, pois ali se situava o importante entroncamento ferroviário de São Paulo e Paraná.

No ano de 1916 Miguel Bakun inicia seus estudos numa escola no bairro de Oficinas na cidade de Ponta Grossa. Aos 10 anos, inicia o aprendizado de alfaiate. Com 15 anos entra na Escola de Aprendizes da Marinha em Paranaguá. Transferiu-se para o Rio de Janeiro para matricular-se na Escola de Grumetes. Na Marinha de Guerra, conheceu José Pancetti, ainda no início da carreira de pintor, um encontro que para Bakun foi decisivo.

Em 1930, cai do mastro do navio durante exercícios de adestramento e é internado no Hospital Central da Marinha, sendo posteriormente desligado por incapacidade física. Após, transfere-se para Curitiba onde começa a trabalhar como fotógrafo ambulante. No dia 9 de abril de 1938, casa-se com Tereza Vaneri, professora e viúva de militar.

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Em meados dos anos 40, Bakun instala seu atelier, incentivado por João Baptista Groff e Guido Viaro. No ano de 1944, seus quadros fazem parte da Exposição de Arte Paranaense. Miguel Bakun participou de várias exposições de arte, recebeu medalha de ouro no I Salão de Belas Artes da Primavera em Curitiba, medalha de bronze no VI Salão Paranaense de Belas Artes. Recebeu no ano de 1950, medalha de prata no VII Salão Paranaense de Belas Artes.

Moysés Lupion lhe entregou o Salão dos Papagaios situado no sótão de sua mansão, onde ele passou seis meses e executou painéis decorativos . A mansão de Lupion fica na Avenida Batel em Curitiba, hoje ocupada por um Centro de Eventos, “Castelo Batel”.

Considerado um dos pioneiros da Arte moderna no Paraná, Miguel Bakun foi uma vez chamado de Van Gogh paranaense pela vida trágica que teve e pela semelhança nas cores utilizadas pelo pintor holandês, o tom “ocre” que caracterizou muito as telas de Miguel Bakun. A partir de então a comparação com o artista holandês se torna recorrente, tanto com relação à pintura de Bakun quanto por seu temperamento melancólico e depressivo. Tanto que o próprio artista a aceita, reconhecendo sua admiração por Vincent Van Gogh, cujos quadros conhecia em reproduções ou pessoalmente. Outro ponto de semelhança entre ambos é certa religiosidade mística em conflito com um sentimento de profunda solidão, que de modo e intensidade diversos manifestam-se em suas obras.

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A década de 1950 é a mais produtiva de Bakun, que se dedica à pintura de retratos, natureza-mortas, marinhas, mas, sobretudo, à pintura de paisagem, cuja temática mais recorrente são os arredores de Curitiba, com suas matas e casas simples e a intimidade dos fundos de quintal. É nesse último gênero que encontra seu melhor desempenho artístico. O desconhecimento das leis canônicas da perspectiva para a construção do espaço pictórico faz com que o artista invente de modo prático e intuitivo suas próprias soluções. A elaboração de um espaço quase sem profundidade e pontos de fuga, construído pela corporeidade da tinta, singulariza suas paisagens.

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Apesar de utilizar esboços a lápis na tela ou no papel, o desenho não comparece em suas pinturas. As formas são criadas mediante o manejo da própria matéria pictórica. Sua paleta restringe-se a tons de azul, verde, branco, por vezes laranja e vermelho e, a cor preferida, amarelo. A variação entre áreas densas e outras ralas, chegando às vezes à ausência de tinta, constitui a espacialização rítmica de suas obras. Os ambientes, em geral familiares e cotidianos como árvores no fundo do quintal, cercas, portas de madeira gastas em casas simples, beiras de estrada, bosques, adquirem um ar de mistério. O misticismo panteísta de Miguel Bakun leva-o a uma profunda vinculação com a natureza.

Para ele, Deus está presente em todos os elementos vivos, animais ou vegetais, e as cores podem revelar esse componente sagrado. É nesseMiguel-Bakun3sentido que se devem fazer restrições aos críticos que vêem em seus trabalhos um viés puramente expressionista. Se por um lado seu olhar singular manifesta-se com liberdade, por outro o respeito pela natureza não o afasta da vontade de representação do real. O que vemos é um envolvimento entre o artista e a paisagem, no qual homem e natureza são permeáveis um ao outro. Isso se revela na sensação de proximidade espacial proporcionada por suas telas.

Miguel-Bakun4Em fins do anos 50, o artista introduz estranhas criaturas no quadro, numa visão animista da natureza ainda que alguns críticos, equivocadamente, vejam influência do surrealismo em seu trabalho. No início dos anos 60 realiza obras de temática religiosa. Sente-se marginalizado com a chegada do abstracionismo, que começa a dominar as poucas exposições em Curitiba. Sua situação econômica também se torna cada vez mais precária. Esses fatores contribuem para o agravamento de sua depressão, apegando-se como nunca à religião. Em fevereiro de 1963 suicida-se em seu ateliê.

Miguel Bakun também é um dos patronos da Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-Sul do Paraná (ALACS). Em função da comemoração do centenário do artista a Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Coordenadoria doMiguel-Bakun5 Sistema Estadual de Museus (COSEM), promoveu uma série de atividades na terça-feira (27) em Curitiba. O COSEM também está colocando as obras do artista na internet para divulgar e facilitar o acesso do público geral ao trabalho e legado artístico.

 

Texto: Odinir Antunes

 

 

 

fonte »»» HojeCentroSul

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